12.9.16

O lobo senescente

O lobo ferido vacila.
Lambe incessantemente a ferida na pata
acoitado num ermo fundo
para não se tornar presa.
Não dorme há algumas noites.
Tem tempo para evocar caçadas de antanho
quando era,
entre os da matilha,
o mais desembaraçado
o mais diligente.
O inchaço na pata não recua
e o lobo sente fraquejar.
Caiu no sono.
Sonhou que já não estava ferido
e que tudo se recompusera
nas suas formas originais.
Mas era só um sonho.
O derradeiro.

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