25.7.17

Celebração

Aberta uma garrafa
cumpra-se o axioma
sem irreverência aos cânones:
bebemos
como bebemos com fúria
a ossatura da vida
e ela passa-nos suave
no adoçado chão que pisamos.

Não são as voltas travadas que contam.
Não queremos sal em vez de brisa
nem deixamos as pedras assertivas
tomarem lugar num trono
pois esse é o trono que chamámos às mãos
o trono desenfreado
de onde congeminamos as artes que importam
raiz de um património
onde somos um abraço imorredoiro
onde somos
a irrefreável força
junta na imoderada casa nossa testemunha.

Aberta a garrafa
bebemos até ao fim.
E sabemos
que a garrafa esgotada
é o meridiano das outras garrafas
à espera de serem nossa coutada.

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